História

Lê aqui um pouco sobre a história da Festa das Latas

A Festa das Latas e Imposição de Insígnias é a primeira festa académica de boas-vindas aos novos estudantes de Coimbra e a maior do país.

Tendo origens do século XIX, a Festa das Latas já foi comemorada de maneira bem diferente da que conhecemos hoje. Começou por se realizar, inicialmente, em maio e cada faculdade tinha o seu próprio cortejo, realizado em diferentes dias. Para celebrar o fim da época de exames e, para os finalistas, o fim do curso, esta festa realizava-se habitualmente nos últimos 3 dias de aulas, onde os estudantes exprimiam ruidosamente, utilizando latas, o seu contentamento pelo término das aulas. Durante esses 3 dias além da festa que organizavam, e do divertimento, cumpriam o ritual de Imposição de Insígnias e de Emancipação dos Caloiros – o conhecido Baptismo.

Com a reforma de 1901 as aulas passaram a terminar ao mesmo tempo para todos os cursos, mas as latadas continuaram, agora centradas na emancipação dos caloiros, ainda que com intermitências. Apesar das diversas modificações sofridas até hoje, esta festa académica mantém o mesmo espírito e as principais tradições: caloiros a correr por Coimbra fazendo barulho pelas ruas da cidade, protegidos da praxe pelas latas e outros objetos metálicos, atados aos tornozelos, à cintura ou aos pulsos, em busca de uma emancipação que alcançariam no fim da corrida.

A Festa das Latas, a dada altura, passa a integrar a Queima das Fitas, podendo o caloiro obter a alforria de duas formas: ou submeter-se à latada ou seguir no cortejo, no carro de um quartanista (finalista, normalmente). As latadas emancipadoras dos caloiros desapareceram por volta de 1935 e os caloiros passaram a emancipar-se de forma menos violenta: quando o cortejo da Queima chegava à Portagem, pedia-se aos “padrinhos” que tirassem com jeitinho os adesivos da testa dos “caloiros”, onde as marcas de mercurocromo mostravam as supostas cicatrizes da recente amputação de um par de cornos.

Após anos de interrupção nas festas académicas, na década de 40 do século XX, os estudantes voltam a organizar estas festividades. Foi a partir dos anos 50/60 que a Latada passou a ocorrer no início do ano letivo, coincidindo com a chegada dos estudantes que vinham das férias e dos novos estudantes que acabavam de entrar na universidade, o que trazia à cidade um clima eminentemente académico. Com o aumento exponencial do número de alunos, a partir de 1979, e com restabelecimento das tradições académicas, optou-se por juntar todos os cursos da Universidade nas mesmas festividades. É a partir desta altura que a Festa das Latas ganha um formato semelhante ao de hoje, com a cerimónia de Imposição de Insígnias, a Serenata, o Sarau Académico e o Cortejo.

A Latada, como é chamada, ocorre atualmente ao longo de 6 noites e inicia-se com a Serenata na Sé Nova. O cortejo é o ponto alto da semana, onde os “caloiros” desfilam com trajes escolhidos e confecionados pelos “doutores” e “padrinhos”, utilizando latas e objetos ruidosos como dita a tradição. Para além dos disfarces dos caloiros, os estudantes aproveitam o desfile para deixar mensagens de sátira política e académica. A Latada é antecedida por atividades desportivas e culturais, como concurso de bandas e campeonatos universitários, que pretendem despertar o espírito de festa nos estudantes e aproximá-los da Academia.